Anestesia no parto normal. Sim ou não?

 

Vejo no meu dia a dia de trabalho muitas gestantes que entram pela porta pedindo já a analgesia ainda quando as contrações são leves e pouco frequentes. O que me leva a pensar que não são muito conscientes do que supõe parir com ou sim peridural. Mas isso é algo que devemos ter muito em conta.

 

A peridural é uma analgesia (alívio da dor) usada em muitos campos da medicina. Durante o trabalho de parto, serve como um método para aliviar a dor das contrações. É uma técnica invasiva já que requer acesso ao espaço peridural lombar (entre as vértebras) para a colocação de um cateter (como o do soro) através do qual vai ser introduzida gradualmente e continuamente a medicação. A analgesia raquidiana tem um efeito parecido, porém mais curto, o que faz ser utilizada nas cesarianas ou trabalho de parto avançado (normalmente que se prevê que durará menos de 2 horas).

Mas para parir, é necessária a peridural? É recomendável?

 

O que eu recomendo?

1º. Ir muito bem informada dos prós e dos contras de fazer uso desse recurso.

2º. Não decidir com antecedência, só se informar muito bem.

 

Sempre devemos tomar decisões conscientes e isso implica informar-se primeiro. E mais ainda num momento tão importante da nossa vida. Se nos informamos sobre quais as melhores marcas de carrinhos do mercado, não deve ser menos esta questão.

 

Vamos ao que interessa!

Prós da peridural:

 

  • Evidentemente, alívio da dor do parto. Ainda que não é 100% garantido. Às vezes, por dificuldade para estar quieta durante o procedimento, coluna desviada, sobrepeso, trabalho de parto avançado, técnica deficiente do anestesista, entre outras causas, pode ser que o efeito não seja o desejado. Às vezes o alívio é mínimo ou notamos um lado completamente anestesiado e o outro absolutamente nada. O qual pode ser muito desagradável.

 

  • Descanso trás um pré-parto longo, dolorido e tedioso. Os pródromos (contrações que precedem ao trabalho de parto) de dias ou de muitíssimas horas acabam derrotando de cansaço e sono a qualquer uma. Uma peridural bem administrada pode ajudar a recuperar essas forças com uma boa e merecida soneca para estar a ponto para a seguinte fase: fazer força.

 

  • Alívio da tensão corporal em mulheres muito nervosas. Em alguns casos, se estamos muito tensas, também tensamos o colo do útero, dificultando a dilatação. Normalmente por conta do medo. A peridural poderia aliviar essa tensão ainda que o ideal seria prevenir essa situação eliminando o medo com muita informação previa para assim romper com a tríade medo-tensão-dor.

 

Contras da peridural:

 

  • Em primeiro lugar e mais importante são os riscos associados à punção que devemos ter em conta:

            –Punção acidental da dura-máter. Se trata de uma membrana que cobre as raízes ósseas e nervosas. Quando perfurada, pode perder  líquido cefalorraquidiano (normalmente circula no interior da dura-máter). Esta saída do fluido provoca dor de cabeça grave. A mulher deve ser mantida completamente horizontal se isso acontecer, com a consequente dificuldade de amamentar nos primeiros dias. Em alguns casos é necessário injetar sangue na punção para tapar o furo e cessar os sintomas.

            –Infecção local da punção. Muito raro, mas não impossível. Pode até mesmo causar meningite.

            –Dor lombar pós-punção. Embora não há nenhum estudo ligando causa e efeito da peridural com dor lombar, sim, há um aumento da frequência da dor ligeira a moderada em mulheres e homens que estiveram submetidos a analgesia peridural ou raquidiana.

  • Hipotensão. Por esta razão, é muito comum ter que canalizar uma veia e passar bastante líquido antes de colocar uma peridural.

 

  • Devido à dificuldade de fazer xixi, é necessário esvaziar a bexiga com uma sonda cada certo tempo.

 

  • Pernas, cadeiras e nádegas adormecidas ou com formigamento.

 

  • Impossibilidade de caminhar e se mover livremente. A menos que o anestesista saiba administrar a técnica walking peridural .

 

  • O uso da peridural está associado com maior possibilidade de que o parto termine em instrumental ou cesariana por posicionamento incorreto da cabeça do bebê no canal do parto devido ao ponto anterior.

 

  • Com frequência, prolonga o trabalho de parto precisamente por não poder se mover livremente e assim favorecer a descida e a posição correta do bebê no canal do parto, que favorece à sua vez a dilatação.

 

  • Normalmente requer o uso de ocitocina sintética (sucedâneo do hormônio que provoca contrações). Esse medicamento deve ser administrado com extremo cuidado já que poderia dar lugar a contrações muito intensas ou prolongadas no tempo que, a sua vez, podem provocar baixada da frequência cardíaca do bebê. Esse fato também pode contribuir para que o parto termine em instrumental ou cesárea.

 

  • Necessidade de mais esforço para fazer força e puxos menos eficazes. É difícil saber exatamente onde tem que fazer a força já que essa zona está anestesiada. Se perde muita força pela garganta. Sim, fica vermelha, faz força com o pescoço em vez de embaixo.

 

  • Como a mãe não percebe dor, quase não segrega endorfinas (hormônios analgésicos naturais) o bebê fica somente com a parte dolorosa do parto (o bebê sim percebe a dor), sem a compensação de endorfina. Sofrem mais.

 

  • Também pode sofrer urticária, febre, tremedeira

 

Realmente , uma coisa leva a outra. É uma cadeia de acontecimentos que pode levar o seu parto pelo caminho mais longo ou menos desejado.

 

Por quê não decidir o uso ou não da peridural com antecedência?

Não sabemos como vai ser o nosso parto. Podemos imaginar e desejar que seja de uma forma e que os fatos aconteçam muito diferentes do que imaginávamos.

Por isso é importante estar muito bem informada. Assim, na hora de tomar uma decisão, faremos de forma consciente, sabendo os prós e os contras.

dr-sugiyama-font

E até aqui o nosso post de hoje.

Quer ver o vídeo? Clica aí embaixo:

Gostou?

Vamos ajudar, com esta informação a futuras mamães? Compartilha nas suas redes sociais.

 

Agora é a sua vez:

Você  teve um parto sem peridural? Como foi?

Experimentou, como eu, dois ou mais tipos de partos diferentes? Como foi a sua experiência?

Deixe aqui seu comentário para ajudar a outras mulheres a tomar a decisão.

Imagens desde Flickr: PAHO, Bryan Mason

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One Reply to “Anestesia no parto normal. Sim ou não?”

  1. Ótimo trabalho!
    Após perder muito tempo na internet encontrei esse blog
    que tinha o que tanto procurava.
    Gostei muito.
    Meu muito obrigado!!!

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