Períneo ou assoalho pélvico. O que é isso?

Períneo?? Que diabos é isso?

 

Acredite! Essa é a reação de muitas mulheres (e homens) quando perguntamos se sabem o que significa essa palavra. Não se sabe o que é e nem para quê serve.

 

 

O que é o períneo ou assoalho pélvico?

É uma parte fundamental do nosso corpo, mas que normalmente ninguém presta atenção por ser um grande desconhecido.

 

Trata-se da área que se encontra justo entre a vagina e o ânus.

Está composto por tecido muscular interno, tecido conjuntivo e diversos ligamentos, vasos e nervos. Por fora está recoberto de pele.

 

É interessante que tomemos consciência do nosso períneo, da sua localização, igual que sabemos onde está o nosso dedo mindinho do pé, por exemplo, que somos capazes de localizá-lo com os olhos fechados.

 

 

Para que serve?

Talvez porque esteja algo escondido, mas também por infinidade de mitos e tabus, é uma parte do corpo que costumamos prestar pouca ou nada de atenção, mas cumpre importantes funções:

 

  • Basicamente suporta toda a parte baixa do abdômen e mantem os órgãos pélvicos (vagina, útero, bexiga, reto. No caso das mulheres) na posição correta para evitar prolapsos (descenso ou caída de um órgão).

 

  • Um falho na estrutura ou funcionamento do assoalho pélvico pode repercutir num mal funcionamento desses órgãos, podendo provocar incontinências tanto de urina como de fezes e gases.

 

  • É fundamental durante o período expulsivo já que forma parte do tramo final do canal do parto, por onde deve passar o bebê.

 

  • Tem também um importante protagonismo nas relações sexuais já que um períneo debilitado, rígido ou dolorido pode influir negativamente no prazer sexual.

 

 

Por que devemos cuidá-lo?

Realmente é necessário prestar tanta atenção a um lugar tão escondido do nosso corpo?

A resposta é um imenso SIM!

 

É fundamental cuidar devidamente dessa área para garantir um correto funcionamento da função excretora, sexual e reprodutiva.

 

Ainda por cima, uma coisa leva à outra e se começar a repercutir numa das suas funções, vai acabar afetando a todas.

E, acredite, pode prejudicar de tal forma que chegue a dificultar a sua vida diária.

 

 

O que pode afetá-lo?

-Aumentos de pressão abdominal interna:

  • Tossir
  • Espirrar
  • Saltar
  • Correr
  • Carregar peso
  • Empurrar peso
  • Levar roupas que apertem muito na cintura
  • Fazer xixi e cocô (e mais se sofre de prisão de ventre)
  • Exercícios hiperpressivos
  • Gravidez
  • Parto (em maior medida os instrumentais)
  • Uso de salto alto, já que faz com que o corpo tenha que compensar o desequilíbrio ocasionado

-Episiotomia ou laceração

Parir vaginalmente não vai ligado a laceração ou episiotimia. Pode terminar o parto com o períneo completamente íntegro.

A descontinuidade dos tecidos dessa área pode deixar uma cicatriz que cause rigidez e falta de elasticidade no períneo.

Normalmente é preferível uma laceração a uma episiotomia já que a laceração é produzida de forma espontânea pelo corpo durante a saída da cabeça do bebê. Pode afetar somente pele ou pele e mucosa ou até musculatura, mas se romper naturalmente, na maioria das vezes acontece evitando inervações ou irrigações importantes. Assim é mais fácil cicatrizar-se e voltar à sua estrutura e elasticidade normal. O corpo é sábio.

A episiotomia é um corte cirúrgico no períneo realizado por um profissional. Se cortam os 3 tecidos: pele, mucosa e músculo e leva por diante tudo o que passa por aí: ligamentos, vasos, inervações, etc. Demora mais em curar e normalmente deixa uma cicatriz que produz retração no tecido, perdendo a sua elasticidade.

 

Quer dizer que tudo isso é prejudicial para o assoalho pélvico? Mas se muitas dessas ações são inevitáveis e algumas são realizadas diariamente!!

 

Tranquila!

Não é que tudo seja prejudicial, senão que é inevitável que essa área se veja afetada, e se não está minimamente trabalhada, vai acabar sofrendo as consequências.

 

 

Como devemos cuidá-lo?

Evitando práticas que o prejudiquem.

Mas, como dissemos antes, há ações que são inevitáveis. Sim, é certo. Mas sempre se pode realiza-las protegendo o assoalho pélvico.

 

Por exemplo:

  • Evite permanecer com a bexiga cheia. Faça xixi no momento em que sentir vontade.
  • Não use roupas ou cintos que apertem muito na cintura.
  • Ao carregar peso, tossir, espirrar, correr e pular, tome consciência do períneo e contraia ele para compensar o impacto.
  • Previna a prisão de ventre aportando fibra e água à dieta diária assim como evitando o sedentarismo.
  • Fuja dos exercícios hiperpressivos como por exemplo os clássicos abdominais (crunches, curl ups, sit ups, etc.)
  • Procure praticar ginástica hipopressiva já que repercute menos sobre o assoalho pélvico.
  • Evite abusar do salto alto.
  • Evitar partos instrumentais, grandes lacerações e episiotomias, na medida do possível, claro.
  • Para a gravidez e para tudo o demais o mais importante é:

 

Treine os músculos do assoalho pélvico assim como os abdominais e lombares.

 

O assoalho pélvico não trabalha de forma independente, senão em colaboração o com a parte da frente, lateral e detrás da área central do corpo.

O períneo é a parte de baixo, o assoalho, como o seu próprio nome indica. E se um desses grupos musculares não está minimamente fortalecido, vai prejudicar os outros.

 

Como dissemos antes, é importante que os exercícios que se realizem ao redor dessa área sejam hipopressivos.

 

Para exercitar o assoalho pélvico existem uns exercícios específicos chamados: EXERCICIOS DE KEGEL que basicamente se trata de contrair e relaxar os músculos do períneo de forma gradual. E pode ser practicado em qualquer etapa como por exemplo durante a gravidez ou o posparto.

 

Como localizá-lo para poder exercitar?

Um truque para saber o que você tem que contrair?

Primero, para poder localizar e tomar consciência dessa área do seu corpo deite de costas com as pernas dobradas e as plantas dos pés apoiadas no chão, colchão ou esteira. Coloque um espelho enfrente para poder visualizá-lo.

Agora, vamos imaginar que você tenta cortar a urina (não pratique enquanto faz xixi) ou que tenta evitar um escape de gases.

Também pode introduzir um dedo na vagina e tentar apertar ele.

A sensação é como se a vagina se fechasse e elevasse. Essa é a contração dos músculos do assoalho pélvico.

 

Mas preste atenção em que não deve contrair nem os abdominais nem os glúteos. Não se deve notar desde fora.

Também é importante não prender a respiração enquanto se pratica os exercícios de Kegel.

Uma vez localizada a área, já pode practicar os exercícios em cualquier postura: de pé, enquanto caminha, sentada ou deitada.

 

Cada dia, tire de 5 a 10 minutos para praticá-lo.

Para não esquecer, relacione a uma tarefa que você faz diariamente: escovar os dentes, dirigir caminho ao trabalho, tomar banho… Assim, cria um hábito e não se esquece.

Com o tempo pode ir aumentando a força e a frequência. Sempre sem forçar. Pouco a pouco vai ir ganhando mais força nessa área.

 

Há no mercado dispositivos para ajudar a tonificar o assoalho pélvico mas para começar é recomendável realizar somente os exercícios de Kegel mesmo.

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Como está o seu períneo? Você cuida bem dele?

 

 

Imagens desde Flickr: Ludoo-wagen

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